Por Walter Paradella.


Rua Conceição

A rua Conceição, parece sair do altar da Matriz Nova e rolar até lá embaixo onde está o Cambuí.

A Conceição era antigamente a Rua Formosa.

Durante pouco tempo foi ainda conhecida como Boaventura do Amaral, mas foi em Novembro de 1883 pouco antes da inauguração da Matriz Nova, a Catedral de Campinas que 58 residentes da rua, pediram à Prefeitura que fosse dada a denominação que está até hoje.

No inicio a rua ia até a rua Lusitana, foi entre 1842 e 1845 que foi aberta até a rua Irmã Serafina, onde se situa o Jardim Carlos Gomes.

Jardim este que era conhecido como Brejão, já que as nascentes nele existentes e mais as águas que desciam das encostas transformavam o local quase num pântano.

A rua Conceição com o tempo passou a ser o principal caminho entre o Centro e o Cambuí, pois lá no alto estava o Jardim Publico na esquina com a Julio de Mesquita.

Neste trecho entre a Irmã Serafina e a Coronel Quirino vários casarões foram construídos restando apenas alguns deles como o que hoje é ocupado por uma Choperia em frente ao Centro de Convivência e outro pela agencia do Banco do Brasil.

Alem de palmeiras imperiais que fazem a moldura do Jardim Carlos Gomes, fica na Conceição numa praça logo abaixo da Coronel Quirino uma figueira histórica, remanescente das propriedades rurais do Cambuizal.

A Rua Conceição, homenagem à padroeira da cidade começava exatamente nas escadarias da Catedral.

Não existia a praça hoje conhecida como largo da Catedral. Existiam apenas duas pequenas calçadas que a separavam da Costa Aguiar e da Treze de Maio, ruas abertas até a Glicério com trafego de veículos.

Ali, no inicio da Conceição foi implantado um dos primeiros pontos de táxi da cidade com os famosos Fords 29.

Com a colocação da estatua de D. Néri este trecho de rua foi fechado, mas durante muitos anos as duas ruas laterais continuaram existindo.

O Largo da Catedral e o Largo do Rosário disputavam as preferências dos campineiros para os grandes encontros cívicos e políticos, na época em que o povo ia aos comícios e festas cívicas.

O grande comício pró revolução de 64 foi ali, nas escadarias da Catedral, de onde saiu a Marcha com Deus, pela Família e pela Liberdade, no histórico março de 1964.

Partindo do Largo da Catedral, a Conceição já abrigou lojas e prédios de referencia para a cidade.

As Lojas Renner, a Farmácia São Luiz, a Fotoelétrica, e o Cine Rink, que surgiu de um rinque de patinação e depois se transformou em cinema e acabou num trágico acidente que matou varias pessoas quando seu teto desabou.

Numa esquina, a sede da Caixa, na outra o Bar Ideal. Mais a frente o Pastifício Selmi, a Habitacional APE e a sede do Correio Popular que ao meio dia e as 6 da tarde envolvia a cidade com o som da sirene, chamada de” sereia” do Correio.

O Lo Schiavo era um fino restaurante, visinho da Gráfica Massaiolli.
A CMVP – Cia Mercantil de Vidros Planos -também ficava por ali, até que se construiu o maior e mais moderno cinema do interior: o Ouro Verde.

Entrada pela Conceição com suntuosa sala de espera, e saída pela Coronel Rodovalho.

Mais a frente, o Jardim Carlos Gomes com seu memorável coreto e que merece um relato à parte, pois é sede de fundação do Guarani FC num encontro de jovens desportistas nos bancos da praça.


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