|
Rua Barão de Jaguara
Eram 3 ruas no centro de Campinas nos seus primeiros anos de vida.
A do Meio, a Debaixo e a de Cima.
Esse apelido Rua de Cima durou até 1848 para a rua que conhecemos hoje como Barão de Jaguara.
Neste ano, querendo dar um ar de importância a Câmara resolve tratar esta rua como Rua Direita, tal qual suas congêneres na Capital da Republica e em São Paulo.
Em 1907, segundo alguns registros, essa era a principal rua da cidade.
Nos dias atuais todos conhecem a Barão de Jaguara, mas poucos sabem quem foi o Barão de Jaguara e porque Campinas resolveu homenagea-lo legendando uma das principais ruas do Centro.
Barão de Jaguara, foi o Dr. Antonio Pinheiro de Ulhoa Cintra. Foi Presidente nomeado da Província de São Paulo.
Foi durante a febre amarela que assolou Campinas que este político prestou relevantes serviços à cidade.
Quanto muitos fugiram da cidade com medo do contagio ele aqui esteve por algumas vezes como chefe do executivo e como médico que era constatou pessoalmente o estado lastimável da cidade.
Para debelar o mal propôs à Assembléia um investimento de dois mil contos de réis para a conclusão das obras dos serviços de água e esgotos da cidade.
Isto mostra que desde os idos de 1870 saneamento básico sempre passou longe das prioridades dos nossos governantes.
Reconhecendo a dedicação para com a cidade a Câmara em 1889 aprovou a mudança de nome de Rua Direita para Barão de Jaguara, denominação que chegou até os nossos dias.
Foi nessa rua que se levantou o primeiro sobrado da cidade, na esquina da Rua General Osório, que era então a Rua das Casinhas.
Carlos Gomes aprendeu a ler e escrever naquele sobrado onde funcionou uma escola particular.
Foi em 1935 que na Barão com César Bierrembach se construiu o primeiro arranha-ceu fato que repercutiu enormemente na cidade e em todo o Estado.
Esse prédio de cinco pavimentos, está ainda intacto, é o Edifício Santana hoje ocupado por um hotel.
A Barão começa junto aos trilhos da antiga Paulista, onde existiu uma chácara, e nela foram feitos os primeiros experimentos de radio que deram origem à PRC-9.
Na Barão, de um lado o Convento Ave Maria e do outro o Patronato São Francisco.
Por ela descia o Bonde 11 que ligava o Centro ao Cemitério com parada obrigatória na Galeria Trabulsi, uma passagem moderna entre a Barão e a Dr. Quirino.
Nela estiveram abertas inúmeras casa comerciais que marcaram época: o Teodoro Oliva agencia da General Motors que vendia carros e refrigeradores Frigidaire, também fabricado pela GM.
Na esquina da Ferreira Penteado ficava a CTB – Cia Telefônica Brasileira ligando Campinas ao mundo.
A Drogaria Silva, o Bar Ideal, a Seleta, o R.Monteiro com loja de tecidos finos no térreo e sede do Guarani no 5º andar.
As primeiras iniciativas de radio em Campinas foram ali na esquina da César Bierrembach com um notável serviço de altofalantes.
A Casa Genoud – Au Monde Elegant – Casa Livro Azul, J. Gerin Jóias e Relógios, e Henrique de Barcelos tinha na Barão o seu bravo Correio de Campinas.
A Donney era referencia para os jovens e a Padaria do Comercio abastecia com pães e doces as famílias cujos titulares trabalhavam no centro e ao final do expediente faziam filas para o pãozinho quente do jantar.
Os principais bancos também estavam estabelecidos na Barão, assim como, os restaurantes e bares, como o Eden Bar, o Bar Turfe, o Ponto Chic, e na esquina da Benjamin Constant a primeira boate de Campinas, a Boate El Cairo, a meia quadra da Igreja do Carmo, que abria suas portas exatamente quando terminava a reza e as novenas da Igreja, para desespero e birra do Padre Geraldo.
Na esquina da Barão com Conceição estava instalado o Cine Rink que encerrou suas atividades em 1951 com a tragédia do desabamento do seu teto em plena sessão cinematográfica matando e ferindo muitas pessoas.
|